Sobre

O cuidado não falha por falta de sistema. Falha nos espaços entre eles.

O MediRec foi construído para esses espaços: a solicitação que chega incompleta, a fila ordenada por data em vez de risco, a conversa clínica que acontece por fora, a contrarreferência que nunca volta — e, para a instituição pública, o risco de pagar para sempre sem nunca deter a tecnologia. São problemas distintos, e o MediRec foi desenhado para enfrentar cada um deles.

O problema — ou melhor, os problemas

Quando a coordenação do cuidado falha, é tentador atribuir tudo a uma única causa. Na prática, são problemas distintos que se sobrepõem. Como em grande parte das redes públicas do país, eles são estruturais — não refletem falta de empenho de quem está na ponta. O MediRec foi desenhado para enfrentá-los um a um.

1. Saber o que é de quem

Antes de organizar qualquer fluxo, há uma pergunta básica: a quem pertence cada dado? Cada exame, cada laudo, cada resultado precisa ser atribuído ao paciente certo — e o conjunto dos resultados de uma pessoa, reunido como um todo coerente. Mas cada sistema identifica o paciente à sua maneira (nome, CNS, CPF, endereço), e basta um nome digitado de outra forma ou um CNS ausente para que resultados de uma mesma pessoa se dispersem. Sem essa atribuição confiável, não se forma o retrato completo de cada paciente — e é desse retrato que depende todo o resto.

2. Conviver com muitos sistemas

Um profissional da rede transita por vários sistemas ao longo de um único atendimento, cada um com seu login, sua interface e sua lógica própria. O mesmo dado é digitado de novo a cada passagem; o trabalho se duplica; o contexto se perde entre uma tela e outra. Boa parte da informação ainda trafega manualmente, de forma incompleta, e nenhuma ferramenta reúne esses processos num lugar só.

3. Dar sentido à informação

Reunir e atribuir os dados não basta — é preciso transformá-los em decisão. Espalhada por sistemas que não conversam, a informação não vira conhecimento: os protocolos existem, mas ficam no papel; os pedidos chegam sem justificativa clínica estruturada; a fila se ordena por data de chegada, não por risco; e os próprios resultados não se separam sozinhos entre o que exige atenção imediata e o que é apenas normal. Falta a lógica clínica única que qualifica o que entra, distingue o que precisa de ação, prioriza pela gravidade, conecta quem decide e garante que a resposta retorne a quem começou o cuidado.

Os três são problemas de coordenação clínica — graves, mas operacionais: nascem no espaço entre os sistemas, e é ali que o MediRec atua. Há, porém, um quarto problema de outra ordem.

Um problema de outra ordem

Soberania

Quando uma secretaria adota um sistema que passa a organizar a saúde de toda a sua rede, ela não contrata apenas um serviço — confia a uma empresa privada a infraestrutura de uma política pública. Se nunca detém essa tecnologia, a dependência só se aprofunda com o tempo: os fluxos, a memória institucional e os dados que sustentam o cuidado de milhões de pessoas passam a viver em um sistema que não é seu.

Sair significa recomeçar do zero e arriscar a continuidade do cuidado; permanecer significa pagar para sempre. Isso não é uma linha de custo — é uma questão de quem controla a infraestrutura de um serviço público essencial. Por isso tratamos esse ponto como diferente em natureza, não apenas em grau.

Como o MediRec responde a isto →

A ideia: um GPS sobre a estrada

Os sistemas oficiais são a estrada — o caminho por onde cada solicitação nasce, trafega e é agendada. O MediRec é o GPS: não constrói uma via nova, mas garante que cada pedido siga o caminho certo, na prioridade certa, até o destino.

MediRec camada de orquestração

Regulação

  • SER
  • SISREG
  • SERNIT
  • SISS

Exames e laboratórios

  • Biomega
  • Científica Lab
  • GAL

Vigilância e rastreamento

  • Bolsa Família (SUBPAV Rio)
  • CCDTI
  • SINAN Online
  • SINAN Rio
  • SISAA
  • SISCADI
  • SISCAN

Atenção primária (eSUS)

  • eSUS
  • eSUS Notificação
  • eSUS Regulação
Integração ativa Em implantação

O MediRec coexiste com a rede de duas formas: onde os sistemas permitem, integra-se diretamente; onde não há integração possível, uma camada de navegação original — a extensão do MediRec — permite trabalhar sobre eles mesmo assim. Nenhuma porta fica fechada, e nenhum sistema precisa ser substituído.

Do dado à ação

Reunir as bases é só o começo. Porque os dados passam a conversar em um só lugar, o MediRec consegue transformá-los em automações e controles — o mesmo motor apresentado na página inicial, aqui detalhado nas três frentes onde ele atua.

Todos os dados em um só lugar o MediRec os transforma em automações e controles

Solicitação

O profissional que solicita é guiado a pré-formatar e qualificar o pedido na origem. O encaminhamento já nasce completo e dentro do critério, o que reduz devoluções e encurta a espera do paciente.

Vigilância

Com dados de várias bases lado a lado, o MediRec cruza informações, detecta inconsistências e aponta as situações que precisam de acompanhamento — antes que virem um problema na ponta.

Consulta

Com os protocolos integrados, a plataforma apoia o profissional durante o próprio atendimento — orientação, automações e alertas no momento da decisão clínica.

Reunir os dados em um só lugar não significa expô-los: todo o tráfego é criptografado e os dados ficam criptografados em repouso. A base integrada é também uma base protegida.

A força do MediRec

A maior força do MediRec não está na tecnologia em si, mas no que ela permite: transformar um processo humano — feito de etapas, decisões e idas e vindas — em um processo digital sob medida, moldado à realidade de quem o utiliza.

É assim que os protocolos clínicos definidos pelo Ministério da Saúde ganham vida. Em vez de ficarem em um documento que poucos consultam, eles passam a operar dentro do trabalho: orientam a solicitação no momento em que ela é criada e apoiam o profissional durante a consulta. O que a norma define, o MediRec aplica no fluxo — com a decisão sempre validada por um humano.

Esse desenho nunca é genérico. O fluxo de solicitação do MediRec nasceu de uma necessidade clínica concreta da nossa Diretora Médica, a Dr.ª Luana Moussallem, e foi sendo aperfeiçoado e adaptado à realidade da rede à medida que chegávamos a cada unidade. Cada ajuste veio do uso real, não de uma prancheta.

O fluxo de DNA-HPV mostra o salto que isso representa. Onde antes era preciso abrir duas requisições separadas — uma no GAL e outra no SISCAN, em dois sistemas distintos e pouco amigáveis —, o MediRec faz as duas de uma só vez, em uma única ação. Um processo que tomava tempo e gerava retrabalho virou um clique.

Na ponta

Em uma Clínica da Família na CAP 3.1, uma enfermeira precisava encaminhar dez pacientes pelos dois sistemas — vinte requisições no modelo antigo. Com o fluxo de DNA-HPV no MediRec, ela concluiu tudo em uma fração do tempo. E usou o tempo que sobrou para reunir essas mesmas pacientes em um grupo e explicar, com calma, o que seus exames significavam e o que viria pela frente.

É exatamente esse o objetivo do MediRec: devolver tempo ao cuidado do paciente.

O que torna o MediRec diferente

Cada base oficial continua sendo a fonte da verdade. O MediRec adiciona a camada de critério e coordenação que falta entre elas.

Integra, não substitui

Em vez de trocar o prontuário ou a regulação, o MediRec reúne os sistemas fragmentados em um fluxo só — uma adoção de baixo atrito para a gestão.

Profundidade em regulação

O foco está exatamente onde o campo é mais raso: a fila de regulação e a priorização clínica do encaminhamento.

Fila por risco, não por chegada

A regulação é ordenada por critério clínico e gravidade, não pela data em que o pedido entrou.

Comunicação entre níveis

Da alta hospitalar notificada à contrarreferência que volta a quem iniciou o cuidado: o diálogo entre os níveis de atenção acontece com contexto e registro.

Eu e a rede

Coordenação também é autoconhecimento. O MediRec oferece a cada profissional um espaço para se enxergar dentro da rede: ao registrar sua própria atividade, ele a compara com a média da sua Área Programática e do município.

Não é um ranking nem uma cobrança — é um espelho. Quando cada um vê onde está, a melhoria deixa de ser imposta de cima e passa a ser percebida na ponta.

Valores ilustrativos.

Uma resposta de outra ordem

Capacidade sem dependência

Adotar uma plataforma não deveria custar à rede o controle sobre a própria infraestrutura. Por isso o MediRec oferece um Programa de Titularidade Tecnológica opcional: ao longo do contrato, o município pode caminhar para deter uma licença perpétua de uso da plataforma, com o código-fonte mantido em custódia e transferência prevista ao término do período ou em condições de saída.

A propriedade intelectual permanece da 2BLP; o que se transfere é o direito de uso e a autonomia operacional da rede. É a diferença entre alugar uma capacidade e construir um patrimônio público — capacidade sem aprisionamento.

Resultados na rede do Rio de Janeiro

O MediRec está em operação na rede municipal de saúde do Rio de Janeiro desde janeiro de 2025, nas Áreas Programáticas do município.

1.286
equipes configuradas
247
unidades básicas de saúde
10.000+
profissionais ativos
Segundo memorando da Subsecretaria de Atenção Primária (S/SUBPAV nº 16/2026), a adoção do MediRec esteve associada a uma redução de mais de 50% nos encaminhamentos devolvidos e a uma economia estimada de 8 a 12 horas semanais por médico.

O mesmo modelo complementar se repete em outras redes: em Niterói, o MediRec opera sobre o SERNIT — o sistema próprio de regulação do município — sem substituí-lo. A interoperabilidade com sistemas diferentes em cidades diferentes é a maior evidência de que o MediRec convive com a infraestrutura existente, em vez de concorrer com ela.

A trajetória

Da primeira unidade à rede municipal, sempre pelo mesmo princípio: complementar o que já existe.

Janeiro de 2025

Primeiro piloto

Vila do João, na CAP 3.1 — 6 equipes.

Fevereiro de 2025

Segundo piloto

CF Zilda Arns — 14 equipes.

2025–2026

Expansão pela rede

Áreas Programáticas 3.1+TEIAS, 2.1, 5.1, 3.2, 5.2, 2.2, 5.3, 4.0 e 3.3 — de dezenas a centenas de equipes cada. Coordenação das Doenças Transmissíveis. Coordenação do Câncer. Reabilitação.

Piloto de regulação com o Complexo Regulador.

Hoje

Escala municipal

1.286 equipes em 247 unidades, com integrações ativas e novas em implantação.

Quem desenvolve

O MediRec é desenvolvido pela 2BLP Futuro Ltda., que reúne a Dr.ª Luana Moussallem (Diretora Médica), Matthias Hasler (CTO e Encarregado de Dados) e Tarek Nabaa. O primeiro módulo nasceu da rotina da própria Dr.ª Luana, à época médica à frente de uma equipe de Clínica da Família. Foi concebido de dentro do sistema — não encomendado de fora.

O método não mudou desde então. Um problema concreto da assistência vira um fluxo, ganha forma e é testado em campo: nada chega à rede sem antes comprovar resultado em uma unidade real. São ciclos curtos, sempre próximos da ponta.

Já são mais de 130 módulos, construídos um a um pelo mesmo método, da atenção primária à especializada — todos sobre uma única camada, que se conecta aos sistemas existentes e os organiza em um fluxo único.

Quatro princípios atravessam o MediRec: complementaridade, decisão humana sobre a IA, dados protegidos em território nacional e autonomia da rede sobre a própria tecnologia.

No fim, tudo serve a um objetivo só: organizar a rede para devolver tempo a quem cuida — e a quem é cuidado.

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