Integra, não substitui
Em vez de trocar o prontuário ou a regulação, o MediRec reúne os sistemas fragmentados em um fluxo só — uma adoção de baixo atrito para a gestão.
Sobre
O MediRec foi construído para esses espaços: a solicitação que chega incompleta, a fila ordenada por data em vez de risco, a conversa clínica que acontece por fora, a contrarreferência que nunca volta — e, para a instituição pública, o risco de pagar para sempre sem nunca deter a tecnologia. São problemas distintos, e o MediRec foi desenhado para enfrentar cada um deles.
Quando a coordenação do cuidado falha, é tentador atribuir tudo a uma única causa. Na prática, são problemas distintos que se sobrepõem. Como em grande parte das redes públicas do país, eles são estruturais — não refletem falta de empenho de quem está na ponta. O MediRec foi desenhado para enfrentá-los um a um.
Antes de organizar qualquer fluxo, há uma pergunta básica: a quem pertence cada dado? Cada exame, cada laudo, cada resultado precisa ser atribuído ao paciente certo — e o conjunto dos resultados de uma pessoa, reunido como um todo coerente. Mas cada sistema identifica o paciente à sua maneira (nome, CNS, CPF, endereço), e basta um nome digitado de outra forma ou um CNS ausente para que resultados de uma mesma pessoa se dispersem. Sem essa atribuição confiável, não se forma o retrato completo de cada paciente — e é desse retrato que depende todo o resto.
Um profissional da rede transita por vários sistemas ao longo de um único atendimento, cada um com seu login, sua interface e sua lógica própria. O mesmo dado é digitado de novo a cada passagem; o trabalho se duplica; o contexto se perde entre uma tela e outra. Boa parte da informação ainda trafega manualmente, de forma incompleta, e nenhuma ferramenta reúne esses processos num lugar só.
Reunir e atribuir os dados não basta — é preciso transformá-los em decisão. Espalhada por sistemas que não conversam, a informação não vira conhecimento: os protocolos existem, mas ficam no papel; os pedidos chegam sem justificativa clínica estruturada; a fila se ordena por data de chegada, não por risco; e os próprios resultados não se separam sozinhos entre o que exige atenção imediata e o que é apenas normal. Falta a lógica clínica única que qualifica o que entra, distingue o que precisa de ação, prioriza pela gravidade, conecta quem decide e garante que a resposta retorne a quem começou o cuidado.
Os três são problemas de coordenação clínica — graves, mas operacionais: nascem no espaço entre os sistemas, e é ali que o MediRec atua. Há, porém, um quarto problema de outra ordem.
Quando uma secretaria adota um sistema que passa a organizar a saúde de toda a sua rede, ela não contrata apenas um serviço — confia a uma empresa privada a infraestrutura de uma política pública. Se nunca detém essa tecnologia, a dependência só se aprofunda com o tempo: os fluxos, a memória institucional e os dados que sustentam o cuidado de milhões de pessoas passam a viver em um sistema que não é seu.
Sair significa recomeçar do zero e arriscar a continuidade do cuidado; permanecer significa pagar para sempre. Isso não é uma linha de custo — é uma questão de quem controla a infraestrutura de um serviço público essencial. Por isso tratamos esse ponto como diferente em natureza, não apenas em grau.
Como o MediRec responde a isto →Os sistemas oficiais são a estrada — o caminho por onde cada solicitação nasce, trafega e é agendada. O MediRec é o GPS: não constrói uma via nova, mas garante que cada pedido siga o caminho certo, na prioridade certa, até o destino.
O MediRec coexiste com a rede de duas formas: onde os sistemas permitem, integra-se diretamente; onde não há integração possível, uma camada de navegação original — a extensão do MediRec — permite trabalhar sobre eles mesmo assim. Nenhuma porta fica fechada, e nenhum sistema precisa ser substituído.
Reunir as bases é só o começo. Porque os dados passam a conversar em um só lugar, o MediRec consegue transformá-los em automações e controles — o mesmo motor apresentado na página inicial, aqui detalhado nas três frentes onde ele atua.
O profissional que solicita é guiado a pré-formatar e qualificar o pedido na origem. O encaminhamento já nasce completo e dentro do critério, o que reduz devoluções e encurta a espera do paciente.
Com dados de várias bases lado a lado, o MediRec cruza informações, detecta inconsistências e aponta as situações que precisam de acompanhamento — antes que virem um problema na ponta.
Com os protocolos integrados, a plataforma apoia o profissional durante o próprio atendimento — orientação, automações e alertas no momento da decisão clínica.
Reunir os dados em um só lugar não significa expô-los: todo o tráfego é criptografado e os dados ficam criptografados em repouso. A base integrada é também uma base protegida.
A maior força do MediRec não está na tecnologia em si, mas no que ela permite: transformar um processo humano — feito de etapas, decisões e idas e vindas — em um processo digital sob medida, moldado à realidade de quem o utiliza.
É assim que os protocolos clínicos definidos pelo Ministério da Saúde ganham vida. Em vez de ficarem em um documento que poucos consultam, eles passam a operar dentro do trabalho: orientam a solicitação no momento em que ela é criada e apoiam o profissional durante a consulta. O que a norma define, o MediRec aplica no fluxo — com a decisão sempre validada por um humano.
Esse desenho nunca é genérico. O fluxo de solicitação do MediRec nasceu de uma necessidade clínica concreta da nossa Diretora Médica, a Dr.ª Luana Moussallem, e foi sendo aperfeiçoado e adaptado à realidade da rede à medida que chegávamos a cada unidade. Cada ajuste veio do uso real, não de uma prancheta.
O fluxo de DNA-HPV mostra o salto que isso representa. Onde antes era preciso abrir duas requisições separadas — uma no GAL e outra no SISCAN, em dois sistemas distintos e pouco amigáveis —, o MediRec faz as duas de uma só vez, em uma única ação. Um processo que tomava tempo e gerava retrabalho virou um clique.
Na ponta
Em uma Clínica da Família na CAP 3.1, uma enfermeira precisava encaminhar dez pacientes pelos dois sistemas — vinte requisições no modelo antigo. Com o fluxo de DNA-HPV no MediRec, ela concluiu tudo em uma fração do tempo. E usou o tempo que sobrou para reunir essas mesmas pacientes em um grupo e explicar, com calma, o que seus exames significavam e o que viria pela frente.
É exatamente esse o objetivo do MediRec: devolver tempo ao cuidado do paciente.
Cada base oficial continua sendo a fonte da verdade. O MediRec adiciona a camada de critério e coordenação que falta entre elas.
Em vez de trocar o prontuário ou a regulação, o MediRec reúne os sistemas fragmentados em um fluxo só — uma adoção de baixo atrito para a gestão.
O foco está exatamente onde o campo é mais raso: a fila de regulação e a priorização clínica do encaminhamento.
A regulação é ordenada por critério clínico e gravidade, não pela data em que o pedido entrou.
Da alta hospitalar notificada à contrarreferência que volta a quem iniciou o cuidado: o diálogo entre os níveis de atenção acontece com contexto e registro.
Coordenação também é autoconhecimento. O MediRec oferece a cada profissional um espaço para se enxergar dentro da rede: ao registrar sua própria atividade, ele a compara com a média da sua Área Programática e do município.
Não é um ranking nem uma cobrança — é um espelho. Quando cada um vê onde está, a melhoria deixa de ser imposta de cima e passa a ser percebida na ponta.
Valores ilustrativos.
Adotar uma plataforma não deveria custar à rede o controle sobre a própria infraestrutura. Por isso o MediRec oferece um Programa de Titularidade Tecnológica opcional: ao longo do contrato, o município pode caminhar para deter uma licença perpétua de uso da plataforma, com o código-fonte mantido em custódia e transferência prevista ao término do período ou em condições de saída.
A propriedade intelectual permanece da 2BLP; o que se transfere é o direito de uso e a autonomia operacional da rede. É a diferença entre alugar uma capacidade e construir um patrimônio público — capacidade sem aprisionamento.
O MediRec está em operação na rede municipal de saúde do Rio de Janeiro desde janeiro de 2025, nas Áreas Programáticas do município.
O mesmo modelo complementar se repete em outras redes: em Niterói, o MediRec opera sobre o SERNIT — o sistema próprio de regulação do município — sem substituí-lo. A interoperabilidade com sistemas diferentes em cidades diferentes é a maior evidência de que o MediRec convive com a infraestrutura existente, em vez de concorrer com ela.
Da primeira unidade à rede municipal, sempre pelo mesmo princípio: complementar o que já existe.
Janeiro de 2025
Vila do João, na CAP 3.1 — 6 equipes.
Fevereiro de 2025
CF Zilda Arns — 14 equipes.
2025–2026
Áreas Programáticas 3.1+TEIAS, 2.1, 5.1, 3.2, 5.2, 2.2, 5.3, 4.0 e 3.3 — de dezenas a centenas de equipes cada. Coordenação das Doenças Transmissíveis. Coordenação do Câncer. Reabilitação.
Piloto de regulação com o Complexo Regulador.
Hoje
1.286 equipes em 247 unidades, com integrações ativas e novas em implantação.
O MediRec é desenvolvido pela 2BLP Futuro Ltda., que reúne a Dr.ª Luana Moussallem (Diretora Médica), Matthias Hasler (CTO e Encarregado de Dados) e Tarek Nabaa. O primeiro módulo nasceu da rotina da própria Dr.ª Luana, à época médica à frente de uma equipe de Clínica da Família. Foi concebido de dentro do sistema — não encomendado de fora.
O método não mudou desde então. Um problema concreto da assistência vira um fluxo, ganha forma e é testado em campo: nada chega à rede sem antes comprovar resultado em uma unidade real. São ciclos curtos, sempre próximos da ponta.
Já são mais de 130 módulos, construídos um a um pelo mesmo método, da atenção primária à especializada — todos sobre uma única camada, que se conecta aos sistemas existentes e os organiza em um fluxo único.
Quatro princípios atravessam o MediRec: complementaridade, decisão humana sobre a IA, dados protegidos em território nacional e autonomia da rede sobre a própria tecnologia.
No fim, tudo serve a um objetivo só: organizar a rede para devolver tempo a quem cuida — e a quem é cuidado.